Conforme prometido?: – Triângulo Amoroso!

 

Triângulo Amoroso

 

Tragédia que é relato de um soneto.

Triângulo amoroso!  Dois catetos

Que querem se casar c’o a hipotenusa

E brigam, muito brabos, pela musa.

 

A musa não define, no triângulo,

A qual dos dois catetos tem amor.

Não sabe com qual faz o melhor ângulo,

Talvez, com o que, em graus, tem mais valor.

 

Triângulo, se ele é o escaleno,

Catetos, um é grande, outro pequeno

E, entre os dois, a pobre hipotenusa

Que fica isolada, mui reclusa.

 

Os dois querem direito ao que é do reto!

Se sente, a hipotenusa, objeto.

                                                                                         Manoel Virgílio

Soneto que escrevi e Amei!

 

Sonhos são, na vida, outras vidas

 

Não quero que me esqueças; não, jamais!

Espero que não digas: – nunca mais!

Tu és inspiração para meus versos.

Não seja teu juízo, a mim, perverso.

 

A ti eu desejo o melhor.

Não queiras, para mim, porém, o pior.

Poetas têm seus sonhos alucinados

E, sonhos, não são certos nem errados.

 

Em sonhos sou feliz, sempre, a teu lado,

Mas sei, ser impossível, este sonho!

Os sonhos são, na vida, outras vidas

 

No espaço, no etéreo, imaginados,

Meus sonhos em ilusões, apenas os ponho,

Eu sei qual é a vida, a mim devida!

 

Manoel Virgílio

O Amor ……

  

O Amor, Em Branco e Preto e em Cores.

 

Amores, vou cantando em sonetos.

Aqueles, bem vividos, verso em cores.

Porém, se estou vivendo dissabores

Eu verso o meu fel, em branco e preto.

 

O branco é a ausência de uma musa

Que a rima, quando é fraca, logo o acusa.

O preto, a falência de um amor

Que ao verso traz, no estro, um amargor.

 

Em cores, vai versando o coração:

O verde tem a ver com a esperança,

O azul que está no céu, mostra bonança.

 

Vermelho, de paixão é inspiração.

O ouro, no amor, também é sorte

E a rima, o poeta, a faz forte.

 

Manoel Virgílio

Soneto: – Meu Sonho

Meu Sonho

 

Meu sonho existe no sonhar

De um mundo que, no sonho, é risonho.

Porém, acordo, sempre, a meditar

Que aquele que, hoje, existe é tristonho.

 

foram os meus sonhos realidades,

Ao menos, no que tange à natureza.

Porque, no referente à humanidade,

È hoje, como sempre, uma tristeza..

 

A Terra, que do espaço, dizem azul,

Talvez que seja cinza, em verdade,

De tanto que, nas matas, o verde arde.

 

Dos pólos que são frios, norte ou sul,

Derretem as geleiras a cada hora

E o homem, ao perigo, ignora!

 

Manoel Virgílio

 
 

A guerra entre magrinhas e gordinhas.

  

A Preta Gil

 

A Gil, a que é negra, desfilou

E , na passarela, arrasou.

Gordinhas deliraram de emoção

A muitos balançou o coração.

 

As magras, qual modelos, com ciúmes,

Aos ventos vão lançando seus queixumes.

E logo denunciam as gorduras

De um corpo bem dotado de farturas.

 

Na guerra entre ossos e celulites

Vantagens, que das magras recrudescem,

Gordinhas, mais felizes amanhecem.

 

Porém, em cada uma há seu “ite”.

Reparo que nas magras há valor,

Contudo, nas gordinhas mais calor!

 

Manoel Virgílio

Soneto

 

Peregrino

 

Eu sou um peregrino, nesta vida,

Que busca um porto certo p’ra ancorar.

Amores, tantos tive, mas em dívida,

 A vida deu-me, em paga, o meu sonhar

 

E sonho, às madrugadas, ao relento,

Na musa que inspire o meu talento.

Manhãs, eu vou ouvindo os passarinhos,

Inveja tenho, deles, dos seus ninhos.

 

Ali, encontram pouso e carinho,

Enquanto eu, peregrino, nas estradas,

Procuro e não encontro uma estada.

 

Assim, nas madrugadas, em meu caminho,

.Vasculho, todo o etéreo a procurar,

A estrela, onde, amor, eu possa achar!

 

Manoel Virgílio

Soneto

Noite de Chuva

 

O sono, se há chuva, é mais profundo,

Parece desligado, nosso mundo.

Goteiras vão pingando enquanto chove,

São mais um incentivo a que se trove.

 

Em baixo das cobertas, se me cubro,

De amar novas maneiras eu descubro.

Aqueço os meus pés com os pés dela,

Enquanto o vento bate na janela.

 

Eu sinto o seu hálito, que é quente,

E a beijo com carinho, tão somente.

O tempo vai pedindo aconchego,

Meiguice é o que comanda nosso apego.

 

O amor, o que é mais puro, inocente,

 Invade nossa alma, docemente.

 

Manoel Virgílio