Postando Sonetos de Marcos Valério Loures

 
Primeiro posto um soneto comum, com dois quartesos e dois tercetos. Depois sonetos que eu chamo de  "Loures" pois nunca vi ninguém usar a forma que ele usa com duas estrofes de seis versos e um dístico. Confiram
 
.SAUDADE E ESPERANÇA                      
Marcos Loures  
     
 Mote :                   
                               "Beijei a ponta da faca"
                                Me disse certa menina,
                               No peito, cravada a estaca,
                               Da saudade; assassina!

 

 

Saudade como faca penetrando

Rompendo o que se fora carapaça.

Aos poucos sem que eu veja, me tomando,

Uma agonia imensa que não passa.

 

O tempo corre lento, se arrastando,

Toda alegria morre e se esfumaça,

O mundo que sonhara desabando,

O que restou de mim, a dor esgarça…

 

Talvez essa saudade inda se cure,

Chegando um novo amor. É, pode ser…

Por mais que o mundo caia e me torture

 

Um dia, no meu peito, nova dança,

Que possa me encontrar e me trazer

O vento tão suave da esperança…

 

 

Sonetos com duas estrofes e um dístico:

 

 

Redentora Amante

 

Andei distantes vales e montanhas
Nas sombras de um passado doloroso.
Sentindo uma agonia nas entranhas
Perdendo uma esperança, morto o gozo
A vida foi por sendas tão estranhas,
Sem ter um só momento mais gostoso.

Um deserto terrível parecia
Sem fim, somente areia em tempestade.
Calada toda a sorte e fantasia,
Distante de saber felicidade,
Meu tempo se passando em agonia,
Vivendo na cruel insaciedade.

Vieste redentora amada amante,
Meu mundo renasceu no mesmo instante

 

Marcos Valério Loures

 

Saudade

 

Saudade, crudelíssimo carrasco
Formada em tão terríveis vendavais,
Veneno que se entorna em frio frasco,
Sem nada construir, tão contumaz.
Reduz a minha vida a um fiasco.
Resseca todo o sonho, mata a paz.

As bocas que beijei, ledo passado,
Sorrindo e penetrando outros desejos.
Recado recebido e disfarçado
Em forma de ironias ou de beijos.
Felicidade nunca foi meu Fado,
Os dados mal jogados, os despejos.

Meus dias vãos passando; cegos, tensos.
Os vales da saudade são extensos…

 

Marcos Valério Loures

 

 

 

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