Nathan de Castro

O "Cadê a Sorte" prometido para hoje, fica para amanhã. Hoje homenageio o poeta Nathan de Castro que está aniversariando, postando dois sonetos seus, sempre com uma técnica impecável.

Ave, Poesia!

© Nathan de Castro

Se o verso bate à porta da emoção,
abro o poema e chamo a ventania.
As penas das tristezas, na canção,
parecem-me mais leves co’a sangria.

Os pássaros, nos passos da estação,
soltam os seus trinados e a harmonia
da nuvem, com a tarde de verão,
deságua um temporal… Ave, Poesia!

Silêncio na palavra!… O sol descreve
o romance do encontro co’as estrelas,
e o Verso abraça a noite do planeta…

O instante é primoroso, o olhar tão breve,
que o lusco-fusco, a brisa e as aquarelas
não cabem nas palavras de um poeta.

 

 

 

Soneto Para Dizer Nada

 

© Nathan de Castro

Somente o verso acalma o meu poeta
e acende a passarada das manhãs.
Voar fica mais leve se a caneta
sabe a saudade e o gosto das maçãs.

O amor foi um presente e me completa,
mesmo perdido e longe das canções…
A vida sem paixão é paz deserta,
sem lágrimas, perfumes e emoções.

Feliz, busco a palavra que não disse,
e digo nada… E nada é muito mais
do que todas as letras que cumprisse,

para enfeitar meus cantos madrigais.
Tenho a emoção do verso e essa doidice
de ver uns colibris nos meus umbrais.

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