Homenagem ao Poeta Marcos Loures

 

 

 

Segunda Parte

 

A Poesia de Marcos Loures

 

Nosso homenageado criou um forma de escrever sonetos que, pelo menos eu, nunca vi igual. Duas estrofes de seis versos decassílabos com um dístico final,

Vejam um exemplo, neste seu “Se sabes quanto quero o teu querer”

 

Se sabes quanto quero o teu querer

 

Marcos Loures 

 

Se sabes quanto quero o teu querer
Por que te fazes sempre assim tão arredia?
Só quero meu amor no teu verter
No fogo que nos queima em noite fria
No jogo que jogamos pra vencer
Na doce sensação dessa alegria

Imensa de vivermos emoção,
Carinhos sem ter fim, amor tão pleno.
Vibrando em desejos e paixão,
Salvando nossas vidas do sereno.
Batendo bem mais forte o coração…
Viver sem teu amor? não concateno

Sou teu e isso basta para mim,
Amor que não conhece medo e fim…

 

Perdoem-me senhores sonetistas

 

Marcos Loures

 

Quem dera se eu soubesse o que não sei,
Falar de poesia mais a sério,
Porém ao escrever vou sem critério
Tentando seguir métrica qual lei.

Em tanta teimosia eu esbarrei,
Agora estou distante deste império
Seguindo sem ter tempo ou refrigério
Aonde hipocrisia vira lei

Que faço se não posso conceber
Soneto sem ter rima sequer ritmo
A poesia além de um logaritmo

Vivendo tão somente ao bel prazer,
Não pode ter correntes matemáticas
Nem mesmo repetir velhas temáticas…

Velho, Careca e Desdentado

Marcos Loures

Se o furo da parede pede prego
Soneto pede rima? Acho que não,
Se no barco a vapor inda navego,
Eu que mude de nau, embarcação.

Caduco em versos tristes; sigo cego
E peço a quem me lê simples perdão.
Desculpe se teimoso eu não renego
O que aprendi há tempos. Má lição.

Minha alma está banguela e carcomida
A data que em verdade está vencida
Expressa o que jamais se poderia

Tentar dizer em rimas antiquadas.
Galochas nos meus pés acorrentadas
Dizendo moribunda poesia…

Avanço e não convenço mas converso

 

Marcos Loures

 

Avanço e não convenço mas converso
E sabes que nas sebes que segui
O vasto do universo deste verso
Em tramas que teimamos só por ti.

Não minto se te sinto mais por certo,
Absinto me embriaga mas não salva.
Navego tantas noites num deserto
Em plena tempestade, na lua alva.

Magoas se me beijas e deságuas
Amores nestas telas descoradas.
Os rios e cascatas perdem águas
Nas mágoas minhas fráguas desaguadas.

No mármore que amor amaro quebra
O gosto inebriante da genebra…

]

SAUDADE E ESPERANÇA                      

Marcos Loures                                        

"Beijei a ponta da faca"
Me disse certa menina,
No peito, cravada a estaca,
Da saudade; assassina!

Saudade como faca penetrando

Rompendo o que se fora carapaça.

Aos poucos sem que eu veja, me tomando,

Uma agonia imensa que não passa.

 

O tempo corre lento, se arrastando,

Toda alegria morre e se esfumaça,

O mundo que sonhara desabando,

O que restou de mim, a dor esgarça…

 

Talvez essa saudade inda se cure,

Chegando um novo amor. É, pode ser…

Por mais que o mundo caia e me torture

 

Um dia, no meu peito, nova dança,

Que possa me encontrar e me trazer

O vento tão suave da esperança…

 

 

Respeito aos Direitos Autorais!

 

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