Dezembro, terminando o ano.

 

 

Dezembro

 

Dezembro, mês de confraternizar,

Presentes p’ra o Natal, há que comprar.

Chegou Papai Noel, o saco às costas,

P’ra ceia de Natal, as mesas postas.

 

Natal transmite a todos muito amor,

Abraços são trocados com vigor.

As festas se repetem e os empregados,

Ao lado dos seus chefes estão sentados.

 

Crianças, no Natal, com seus brinquedos,

Alegram nossas praças com folguedos.

Indago, ante a alegria desses petizes,

Por que somente poucos são felizes?

 

Seria muito bom, se todos dias,

Houvesse, entre os homens, essa energia.

 

Manoel Virgílio

Homenagem à Zumbi

 

 

 

Barco Negreiro

 

Nas brumas o velho barco , lento, ruma

E deixa, o cais, atrás, até que suma.

Levando nos porões negros escravos,

De sua liberdade, então, privados.

 

Estufa suas velas aos bons ventos.

Doenças, falta d’aqua e de alimentos

Se agravam quando chega a calmaria;

Morrendo muitos  negros: – covardia!

 

Cruzando esses mares navegados,

Por tantos outros barcos já cruzados,

Enfim, chega o negreiro a outro cais

E os negros desembarcam, qual animais.

 

Após os dias, tantos, em sofrimentos,

Enfim, aos que chegaram…mais tormentos!

 

Manoel Virgílio

A Mania do querer

 

 

Querer e Ter

 

 

O homem, sempre, quer o que não tem

E nunca o satisfaz o que lhe vem.

Será esta a razão de seu progresso?

Terá o insatisfeito mais sucesso?

 

Mas perde em sua vida o que é melhor

Eis que nada mais vê ao seu redor.

Porque está centrado no dinheiro

Ao qual se faz escravo por inteiro.

 

O ter mais é a mania que ele cria

Pois quanto mais tem ele, mais quer ter

E vira obsessão o seu querer.

 

O mundo obcecado em querer ter,

Concentra o seu dinheiro com alguns

Mas vive, a maioria, sem nenhum.

 

Manoel Virgílio

O que eu gosto…

 

Gosto e Não Gosto.

 

Eu gosto do que gosto e me faz gosto,

Gostar do que eu gosto não paga imposto.

E aqui, a meus amigos, eu deixo posto:

– Eu gosto do que é claro e não do fosco!

 Detesto escuridão no ambiente,

Exceto num motel e, ali, somente.

Boites, muito escuras, não me assanham

E, saunas, nem aquelas que só banham.

 

Eu gosto de lugar com muita gente

Se gente educada é que o freqüente.

Eu gosto de teatro e cinema

De ver um bom ator, quando em cena.

Eu gosto nas mulheres, de olhos lindos,

Roliças, não importa, a carne é boa!

Sem mais qualquer detalhe, aqui findo,

Não quero apanhar, lá, da patroa!

 

Não chamem o Virgílio a andar de barco

Nem mesmo num Iate eu embarco.

E nisto eu não faço exceção,

Prefiro ir por terra ou de avião.

Não gosto de cachorro que não late,

Pois pode estar com raiva que nos mate.

Detesto, em Igrejas,a gritaria;

Por certo, até Jesus condenaria

 

Meu prato é bem melhor com “boi ralado”,

Verdura, só se for no ensopado.

Abóbora será com carne seca,

À mesa um vinho tinto, porém, seco.

Eu gosto de um chope bem gelado,

Mas nunca meu limite ultrapassado.

Não gosto de quem é muito falante,

Aquele que fala alto em restaurante.

 

Não gosto desse funk, pancadão,

Que é coisa à sacudir o garotão.

Prefiro ouvir, da música, a melodia

Com ritmo gostoso, em harmonia.

Mas gosto de curtir o carnaval,

No samba, a bateria é bem legal.

P’ra ver o Bola Preta, vou no sábado,

E, logo, o Carnaval, me é acabado.

 

 

 

Bermudas em festa à noite é aberração,

Se é calor, por que não usar calção?

Na praia é que se fica à vontade,

¨Trajar bem, não impede a liberdade.

Detesto ver mochila em condução

Exceto se à frente e bem à mão.

Não gosto de papel, ao chão, jogado,

É coisa de um povo mal educado.

 

Meu gosto, lá na praia, é o calçadão.

P’ra mim, Copacabana é curtição.

Nas tardes de domingo, futebol

E, sempre, o Fluminense é escol!

Prefiro ver os jogos na TV,

Os lances que no campo ninguém vê.

Porém o narrador é, sempre, um logro

Pois fala o tempo todo, não do jogo.

 

Chinelo que uso em casa não vai à rua,

Poeira ao corpo gruda, quando sua.

Também traz no seu pó aquele escarro

Que cospem nas calçadas e até do carro.

Por isto não vou à cama sem bom banho,

É coisa que aprendi, já desde antanhos.

Com minha boa avó que, com certeza,

Passou-me educação, bem portuguesa.

 

Falando em Portugal, é lindo o fado.

Ainda vou, um dia, àqueles lados.

Também, à Buenos Aires, o tango ouvir

E pares à dançar, volto a curtir.

Um dia: – vai ficando mais difícil –

Detono a rotina com um míssil

E saio com meus lenços e documentos,

Curtindo à vontade meus momentos.

 

Eu gosto de meu médico, o João,

De exames, o resultado, é curtição:

– É bom ou não é bom, é loteria!

Porém, não ir ao doutor, eu preferia.

Não gosto, nem um pouco, de enterros,

Por isto, ao morrer, não quero erros:

– Desejo ser cremado sem assistência,

As cinzas irão p’ra um vaso… de hortênsias.

 

Manoel Virgílio

O Não Vivido

  

 

Saudades do Não Vivido

 

Lembrando o que na vida eu já vi,

Saudades  mais me traz o não vivido.

Do amor que eu senti, mas não vivi,

De tudo que não foi acontecido.

 

Passado que ao presente não previu

Futuro que, ainda, é só ensejo.

Do amor que era grande e me fugiu,

Do beijo que ficou só em desejo.

 

Dos sonhos apagados pelo tempo,

Do tempo em que perdi meus bons momentos,

Momentos que se foram com os ventos

 

               Daquelas esperanças não vividas,             

Projetos que não os fiz em minha vida,

Saudades das viagens sem partidas.

 

Manoel Virgílio

Meu Amor…

 

 

 

Meu Amor Por Você

 

O amor que eu lhe tenho, me é dileto,

Porque ele vem de Deus, por seu decreto.

E diz, num seu capítulo escorreito,

Que a ame mais que tudo, amor perfeito!

 

De si meus pensamentos são objetos

Porém, se não corretos, eu deleto!

 Eu amo com paixão, este é meu jeito,

E tê-la, junto ao peito, será um feito

 

Espero ser um dia o seu eleito.

Nem sei se falar nisso é meu direito.

Mas, ser seu preferido é meu projeto,

Se um dia me eleger, serei completo.

 

O amor que tenho a si, não é virtual

É graça e vem de Deus, é mui real!

 

Manoel Virgílio

Amor não entendemos…sentimos!

   

Mote: “O amor não é p’ra entender, é p’ra sentir…”

 

 

Amor É P’ra Sentir…

 

Amor é p’ra sentir, não pr’a entender;

Eu não lhe entendo e gosto de você!

Mas fico pesaroso em saber

Que, nunca, poesias você lê.

 

É simples explicar, disso a razão:

– Poeta põe em versos seu amor

E, neles, extravasa uma emoção,

À qual só um poema dá valor .

 

Assim, se a esperança é o seu sentir,

Vem… leia esses meus versos e se curtir,

Quem sabe se a meu amor dará passagem?

 

 Em versos, eu lhe deixo esta mensagem:

– O amor, não o sentimos em nosso cérebro;

Cupido, ao coração, nos flecha célere.

 

Manoel Virgílio