Tristeza de am or

 

 

 

Por que Sou Triste?

 

Por que esta tristeza em mim existe?

Sem ter o teu amor, me sinto triste!

Difícil, sem amar, que alguém sorria,

Assim, é impossível a alegria.

 

Se vive, sempre, em mim esta tristeza

Meu estro e minha rima são pobrezas.

Não há como o poeta ser feliz,

Se vê a vida  escura, sem matiz.

 

Pois, triste, não mais sente, bela, a Lua,

Nem mesmo vê o encanto dessas rosas

Que enfeitam os jardins, pois são formosas.

 

Suplico, desolado, à imagem tua

Que tenho, em meu quarto, num andor:

– Devolva-me meu estro que é  teu amor.

 

Manoel Virgílio

 

 

 

 

 

 

 

 

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Da Vinci, me perdoe!

 

 

 

 

Minha Mona Lisa

 

P’ra mim  tu és a minha Mona Lisa,

Aquela que a um artista eterniza.

Se aqui, oh musa amada, não a mereço,

Contudo a sua imagem enalteço.

 

Tu és a mais bonita inspiração,

Que trouxe essa paixão, ao coração.

Padeço por não a ver correspondida,

Pois nem as minhas preces são atendidas.

 

Eu traço, qual Da Vinci, seu retrato

Mas, nunca, numa tela, com pincel,

Nem mesmo com um lápis, no papel.

 

Eu faço com meu Deus, um outro trato:

– Escrevo seu retrato em bel soneto

Se a tanto Ele me inspire, isto eu prometo!

 

Manoel Virgílio

São João na roça

 

 

 

São João

 

A festa seguia alegre p’ra São João.

Fogueira, bandeirolas e quentão.

Pamonha, um bom curau e uma canjica,

Também, aniversário, era da Chica.

 

Mas a Chica, que é mulher do Fernandão

Estava enrabichada por Mourão.

Dançava a quadrilha, toda em risos

Tirando, do Mourão, todo o seu siso.

 

Porém, ao Fernandão, a boa Rita,

Mulher, que é do Mourão, o provocava

E ele, ao seu redor, sempre girava..

 

Na noite de São João, muito esquisita

A troca de casais, que combinaram.

Na roça, o tal “swing”, inauguraram!

 

Manoel Virgílio

Abandonado!

 

 

 

 

 

 

Abandono

 

Flechado por Cupido, te adoro!

Não durmo ao teu lado, isto deploro.

Acordo, manhã cedo, abandonado,

A minha solidão é um mau bocado.

 

Meu rumo eu perdi, sem te ter ao lado

E sofro, aqui, sozinho, um triste fado.

Viver sem ter a tua companhia,

Condena-me a uma vida, assim, vazia.

 

Amor, faça uma nova avaliação

E venha para quem muito te ama.

Não deixes, ao meu lado, vazia a cama!

 

Espero, agora, um sim, ao invés do não

Que tanto me inferniza no abandono.

Pois sou, assim, sozinho, um cão sem dono!

 

Manoel Virgílio

Bastam alguns momentos

 

 

 

  

Alguns Momentos

 

Somente, a te falar, alguns momentos,

P’ra mim, é conseqüente um encantamento.

A luz que se irradia de teu olhar

Está, dentro em mim, muito a brilhar.

 

Um brilho que tomou todo o meu ser,

Tornou-se a razão de meu versar.

Procuro evitar seu bem querer,

Porque, nem mesmo em sonhos, posso a amar.

 

Distância, entre nós, é o muito tempo,

Assim, às ilusões, não me contemplo.

Só, mesmo, seres musa em meus sonhos.

 

Porém, isto a mim, não faz tristonho,

Porque lembro, eu, a luz do teu olhar,

Que brilha e que, por ti, me faz sonhar.   

 

Manoel Virgílio

Almas em Paralelo

 

 

 

 

 Almas Paralelas

 

O amor, quando nos nasce, sempre é belo,

Seja sob intempéries ou calmaria.

Se nasce, em duas almas, em paralelo,

Por certo que resiste às ventanias.

 

Porém, nascendo em almas divergentes,

Sem ter entendimento, nem carinho,

Provável seja sexo tão somente,

E, assim, serão diversos, seus caminhos.

 

O sexo para o amor, é complemento.

Não firma a relação, pelas idades;

 Se vai, quando arrefece, solto aos ventos.

 

O amor, que é real, mesmo distante,

Mantém-se pelos tempos, pois é verdade!

O amor é eterno; sexo, só instante.

 

Manoel Virgílio

A ti, muito carinho

 

 

 

 

 

 

A Tanto Carinho, Eu Verso!

 

A ti que me dedicas teu carinho,

Queria responder com belos versos.

Porém, eu não encontro um bom caminho

Que façam esses versos bem diversos.

 

Que tenham mais eloqüência que os demais,

Que mostrem bem melhor a minha lira,

Porque não os merece a outros iguais,

Tu és quem o coração, meu, admira.

 

E assim, por ti, meu estro, enfim, delira.

Rimando por um amor, que nos é negado,

Talvez, porque, ainda, não provado.

 

Amor, seja o meu ar, o que respiras

E venhas para mim, senão, definho,

Deitado, aqui, sozinho, em meus linhos.

 

Manoel Virgílio