“Santa Maria”, soneto de Manoel Virgílio.

Santa Maria
Manoel Virgílio

Há festa! Na boate eles festejam,
Os jovens, as vitórias que almejam.
Dançando, preparando a formatura,
Atalho p’ra uma vida que futura.

Há fogo! São momentos de tristezas…
Presente, só a morte, malvadeza!
Nos corpos, pelo fogo, incinerados,
Futuro não há mais, resta o passado.

Há luto! Só lugar para a saudade…
Tragédia que abalou toda a cidade.
Nas chamas, encerradas esperanças,
Aos seus, somente ficam as lembranças.

Há lágrimas, ao invés das alegrias…
Consolai essas mães, Santa Maria!

“Cinzas” soneto de Manoel Virgílio.

Cinzas
Manoel Virgílio

Depois de um carnaval com euforia
Pedaços, pelas ruas, da alegria.
Sem mais alegorias e ilusões
Em trapos, fantasias… corações!

Nos ralos, serpentinas já rasgadas,
No lixo uma coroa abandonada,
Daquela, na folia coroada,
Nas cinzas, se sentindo, destronada.

Os sonhos de ser rei e ter rainha,
Que dentro à fantasia, ele mantinha,
Se foram quarta-feira… decepções.

Pierrot sempre a sonhar co’a Colombina
Que segue o Arlequim em sua sina:
– A mesma, em Carnavais, dos foliões!