Você

Você
Manoel Virgílio

Se você dorme co’os anjos,
meu ciúme é de você.
Quero ser um seu arcanjo,
para dormir com você!

Se você for para o Inferno,
vou para lá, com você.
Serei seu Diabo eterno
p’ra me queimar com você!

Sou, no Paraíso, Adão,
para você ser minha Eva,
co’a maçã, sair da treva!

Você, Isolda e, eu, Tristão!
Eu, Pery, no Guarani
e, você, … minha Cecy!

Cinzas

Cinzas
Manoel Virgílio

Em cinzas, assim finda o carnaval,
em cinzas vai findar a própria vida.
Alguns serão notícia no jornal,
p’ra outros, só o fim de suas lidas.

Em cinzas toda a vida se resume,
ao pó o nosso pó se juntará.
O corpo consumido pelo lume,
e o espírito, ninguém sabe aonde irá.

De cada carnaval ficam lembranças,
da vida, de alguns, contam estórias.
Em cinzas findarão nossas andanças,
são restos que não guardam as memórias.

As minhas, não querendo ser hilário,
as joguem no meu vaso sanitário!

Carnaval é Alegria

Carnaval é Alegria!
Manoel Virgílio

Aberto o Carnaval com alegria,
e, assim, para o trabalho, há u’a lacuna.
São quatro, ao todo, os dias de folia,
isentos que o destino, ao fim, nos puna.

Excessos nesses dias têm franquia,
prescrevem ao findar o carnaval.
Relevem-se estes mesmos à alegria
que deve, nesses dias, ser geral.

Rei Momo, comandante folião,
passistas, as baianas, colombinas,
os clovis encontrados nas esquinas.

Esquecem-se as agruras e a razão,
vivendo o carnaval com muito amor,
as cinzas logo apagam este calor.

Estória De Carnaval

Estória de Carnaval
Manoel Virgílio

Menina, ela se vê fantasiada
nas ruas, desfilando, sem saber,
porque co’aquela roupa que enfeitada,
incômoda, tão quente, a querem ver.

Já moça, ela vestindo a fantasia,
cantando vai dançar co’a multidão.
Já a veste com prazer, com alegria,
buscando ter um par, ao coração.

Adulta, convivendo co’a folia,
todo ano, na avenida, a desfilar,
o amor no carnaval a procurar.

Idosa, guarda antigas fantasias,
o samba, ainda, prova ter no pé,
porém, em Pierrot, não faz mais fé.

È Sexta, Treze!

É Sexta, Treze!
Manoel Virgílio

É sexta, treze, e eu não saio de casa!
Se saio, minha vida ao certo atrasa.
Mandinga me fizeram p’ra este dia,
perigo de eu entrar naquela fria.

Na rua, eu acho um chato que me chama:
– querido… e vem pedindo, logo, grana.
Um outro vem dizendo que me ama,
e u’a louca quer que eu deite em sua cama.

A gripe vai virando pneumonia,
remédio não encontro em drogaria.
Cerveja, no boteco, só há quente
e versos não mais vêm à minha mente,

Se saio, piso em casca de banana
e, assim, fico de molho uma semana!

A Solidão Dos Homens

A Paz
Manoel Virgílio

A paz não se fará através de guerras,
senão nunca a teremos sobre a Terra.
Não pode haver a paz pelos canhões
e enquanto alguém viver sob grilhões.

A paz tem tudo a ver co’a liberdade,
co’o fim da violência nas cidades.
Que cessem os confrontos de nações,
cultivem sempre a paz, religiões.

Jesus e Maomé, amor pregaram
e a paz aos seguidores inspiraram.
Não há como esses sejam inimigos
e que ódio em suas mentes tenha abrigo.

Se todos acreditam num só Deus,
então, às desavenças, deem adeus.

Assombro

Assombro
Manoel Virgílio

Notícia assombrosa nos jornais,
relógio unido a tablet e celular!
E, ainda, os viciados querem mais,
quem sabe… cozinhar, lavar, passar!

Qual Einstein previu, tecnologias,
já fazem gerações mais idiotas.
Aqueles que as mais usam, hoje em dia,
o fazem pelas ruas, quando em rotas.

No trânsito, o perigo eles ignoram,
quer seja dirigindo ou caminhando,
lá vão, ao celular, o digitando.

E, sempre, aos aparelhos que mui adoram,
na escola, no trabalho, em refeição,
estão, os viciados, em ação!